10 de Julho de 2011

http://golpesdepulso.blogspot.com/

publicado por leitecomcafé às 19:55
04 de Março de 2011

 

Fazer da câmara os meus olhos, dá-me prazer, bem como expressar numa imagem a minha interpretação pessoal do mundo. Olhar não é só ver, é também perceber e abraçar. É tocarmos o Universo com os sentidos e sentir a essência das coisas. Coisas… Todas as coisas, toda a matéria, todo o existente que existe, que respira ou finge respirar. Numa fotografia não estão apenas pixéis, nem tinta, nem papel. Há cor e cheiro, sentimentos e emoções, sabores, um lugar, uma história, um poema, escrito com a nossa alma e com o suspiro do momento.

publicado por leitecomcafé às 21:08
04 de Fevereiro de 2011

 

Deslizei a mão pelo cabelo, em quatro tempos. Olhei para ti e fiz uma expressão singular. Falei em versos soltos, com palavras recicladas e desviei-o de novo, pois o vento soprava, forte, e queria esconder de mim a Natureza - a Natureza natural e a Natureza de mim própria. Depois, quis fotografar a minha alma, para poder dizê-la de cor, dizer quem sou. Mas, no momento do flash, o vento pôs-se à frente da lente e fez-me nuvem: vulto de névoa com verde por trás.

Hoje, não sei quem sou, por causa deste dia, pois na fotografia da minha alma,

só vejo dúvida e vento.

publicado por leitecomcafé às 20:55
27 de Janeiro de 2011

 

Odeio esquecer. Por vezes é o melhor, eu sei, mas nós somos feitos de matéria, de memórias e vento. Se não os temos, somos amnésicos de alma. Somos fumo. Somos nada, vento de sentimento oco. Às vezes entra por mim uma ideia, que depois se vai embora, sem deixar registo, para além de vazio. As chamadas “brancas”… Irritam-me profundamente, fazem-me comichão no ego e dão-me voltas à barriga. É estar e fazer sem lembrar a razão, é sensação de perda e de limitação. Não quero esquecer, não quero… não quero… mas o tempo passa e apaga. Há coisas que quero que fiquem, mas vão, mesmo sem querer. Então escrevo, como que hipnotizada pelo relógio de bolso, ferrugento. Escrevo sem história, inconsciente, sem memória... Escrevo sem saber.

publicado por leitecomcafé às 22:46
16 de Janeiro de 2011

 

Tenho tanta pena do chão que todos os dias é pisado por nós; das palavras, usadas vezes e vezes sem conta; das peças de roupa, que andam às voltas na máquina, até ficarem sem cor; do verniz que seca, quando fica esquecido numa mala qualquer; e do amo-te vulgarizado, todos os dias, por densas almas sem forma.

Tenho pena de mim. Tenho pena de ti… por isso, vou-me calar para sempre e nunca mais abrirei a boca. Vou suicidar o meu pensamento circular na inconsciência suja e nunca mais abrirei a mente. Vou fugir, para lugar nenhum, e nunca mais abrirei as feridas, as feridas que nunca irão sarar.

publicado por leitecomcafé às 19:41
27 de Dezembro de 2010

 

Viajo sem cinto e nem sequer sinto

A falta da vida em peso de pluma.

Viajo sem cinto, sem a segurança que não quero,

Que não me faz falta nenhuma

 

Cheguei ao ponto de não querer saber

Olhar para o vidro do carro e estar-me nas tintas para o mundo

Para poder pintar a minha alma com as cores que quero:

Prata sem brilho em cima e cinzento-escuro no fundo.

 

Já perdi o medo de ser cuspida para o chão

E ser engolida por um outro lugar,

Um lugar sem sentir que sinto

Que choro e que me minto sem saber falar

 

Então viajo e, sem querer, não sinto

A alma sem cor, a existência descolorida.

Então viajo, sem pôr o cinto

Sem me prender ao banco, sem me agarrar à vida.

publicado por leitecomcafé às 15:41
25 de Dezembro de 2010

Uma das coisas mais engraçadas no Natal, por ironia paradoxal e antitética, é que podemos fazer esquecer o passado com um presente. As pessoas vivem-no, simplesmente, por arrastamento, mas o Natal não é uma data, é um estado de espírito, cuja melhor prenda, não podemos encontrar debaixo de uma árvore de natal postiça. No entanto, as ruas brilham e o mundo continua a girar.

Feliz Natal para todos!

 

publicado por leitecomcafé às 00:00
24 de Novembro de 2010

 

Sozinha, à mesa de um restaurante qualquer, sentada no canto direito, ao fundo da sala, olho para a jarra de água com a flor vermelha, da mesma cor que o batom que hoje pus. Ao recordar memórias gastas, deito a última lágrima, como o último pedaço de sobremesa e dou o meu último soluço, enquanto limpo a boca no guardanapo de papel. Estou farta que me mintas; farta que me trates como se fosse Rainha do Mundo; farta que me exijas a Natureza se eu só consigo dar-te uma pétala morta do chão. Dá-me água, dá-me luz! Não a saliva das tuas mentiras, nem o teu sorriso artificial. Desiludiste-me, mas… Sinceramente? Já estava à espera.

Pára de mentir! Para quê promessas de pétalas? Tão leves e frágeis que, quando se despegam da flor, voam para o regresso do nunca mais... Tal como a chuva, quando cai sobre as pétalas, tu estavas lá em cima, no topo, mas isso era antes. Depois, as gotas vão caindo, escorrendo pelo caule, até ficarem por debaixo do chão. Sim, é aí que agora estás. Antes, eras a água que me alimentava e eu, o ar que respiravas. Agora, sou só um guardanapo usado, com uma marca de batom.

publicado por leitecomcafé às 00:00
14 de Novembro de 2010

 

I like the sunset. I like the way it goes away, without saying «good-bye».
I like the wind. I like when it blows and grows cold, drawing in the sky.
Yeah, I'm in pain. Yeah, I'm in sorrow.
Follow me, lost soul, or see you tomorrow...

publicado por leitecomcafé às 17:08
06 de Novembro de 2010

 

felicidade inconsciente

que o tempo afasta de mim,

por que dizes que me ajudas

se a dor continua aqui?

 

persisto.

fecho os olhos e voei...

sou alma perdida

cujo nome não sei.

 

desisto.

já nem me lembro de ti...

sou ninguém, tu és nada.

caí.

publicado por leitecomcafé às 22:08
Julho 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
Posts mais comentados
8 comentários
6 comentários
4 comentários
4 comentários
2 comentários
2 comentários
1 cometário
o meu ser
não sei ao certo. mas, um dia, vou saber.
o que há dentro da minha caneca?
pesquisar neste blog
 
últ. comentários
Acredito no sol mesmo quando não está brilhando; A...
Uau!!!...Eu não sei que dizer, palavras não o cons...
Realmente ha fotografias que nos fazem olhar para ...
Olá Catarina. :)Obrigado, eu tinha feito o que dis...
Olá, Bruno. Obrigada ;)é muito simples... basta ir...
Ola, desculpa a evasão, gostei do teu blog. Estou ...
es tudo gosto muito do que fazestens tanta essenci...
quem tem de agradecer sou eu, estes textos são rea...
oh, catarina, obrigadíssima. é óptimo saber que há...
este texto está tão realista, eu sinto o mesmo, ac...
blogs SAPO